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Livro

O Ciclo
 
das Mandalas

 

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Editora: Antroposófica
120 páginas. 
Inclui DVD e sete reproduções de mandalas.

A mandala ("círculo mágico", em sânscrito) manifesta-se de várias formas, em várias culturas desde a Antiguidade e ao longo da vida de cada pessoa. Símbolo do centro e do si-mesmo, da meta do desenvolvimento humano, a mandala revela o sentimento de fazer parte, de estar integrado no Universo. A aquarelista e terapeuta artística Mary Porto apresenta aqui o exercício “O Ciclo das Mandalas”, que desenvolveu a partir de pesquisa própria, estendida depois para seus alunos e pacientes. Construir uma mandala pode ser ao mesmo tempo a criação de uma imagem e a vivência de um processo para a evolução espiritual. Pode espelhar a interiorização da vida anímica e o conhecimento de suas possibilidades evolutivas. O trabalho com a metamorfose da mandala é feito na linguagem artística da aquarela com conhecimentos da geometria sagrada, o que possibilita tornar visível a imagem do eu reintegrado.

 

Trechos selecionados do livro "O Ciclo das Mandalas".

A Mandala e os símbolos sagrados


A contemplação da abóbada celeste é uma das mais antigas atividades humanas, exercendo sobre o espírito humano grande fascinação em todas as civilizações. Foi meditando sob sua forma arredondada e observando o movimento dos corpos celestes que o homem encontrou a manifestação da ordem sagrada do universo. Os sábios da Antiguidade perceberam que os astros, em suas órbitas circulares, possuíam movimentos naturais diferentes daqueles encontrados nos quatro elementos (água, ar, terra e fogo). Observaram também que em suas evoluções imutáveis e previsíveis refletiam qualidades superiores, como a serenidade e a perenidade do mundo astral.
Assim, o astrônomo caldeu no alto de sua torre, o marinheiro em mar aberto ou o nômade no meio do deserto observavam, na imensidão que os envolvia, a estrutura espacial circular da interpenetração do céu com a Terra e, no alto, refulgindo, os serenos e brilhantes astros noturnos, que lhes serviam de guia.
Na contemplação desses astros perceberam a existência de um centro único, privilegiado, absoluto, em torno do qual girava eternamente o firmamento. Mais do que a forma ou a posição das constelações, era o seu movimento de rotação que demonstrava o modelo exemplar do grande motor do cosmo.
O Sol e a Lua surgiram como os principais astros para a marcação dos pontos no horizonte. Em correlação com as doze constelações, formam o círculo zodiacal, marcando e determinando o ritmo das estações do ano. Quatro constelações do Zodíaco eram de importância capital por corresponderem aos equinócios e solstícios do ano: Leão, Touro, Aquário e Escorpião – a cruz zodiacal.
No espetáculo cotidiano da elevação dos astros de um lado ao outro do céu, em seu itinerário imperturbável, o homem pode reconhecer o ciclo de sua própria vida, do nascimento até a morte. Ele fará desta imagem concêntrica o ponto de partida para sua criação imaginativa e manifestação de seu subconsciente na visão simbólica do universo.
Os principais símbolos criados pelo homem foram decorrentes de suas observações celestes: o ponto, o círculo, a cruz, o quadrado e o triângulo.
(...)
Os mitos da Antiguidade trazem a forma da mandala expressa na figura do círculo, presente em lendas de várias culturas: desde o labirinto de Creta, onde o herói grego Teseu enfrenta o monstro Minotauro, horrendo ser com cabeça de touro que se alimentava de carne humana, e que é o símbolo da caminhada interior humana em luta com seus aspectos destrutivos, até lenda celta da Távola Redonda, enorme mesa onde os cavaleiros do Rei Artur se reuniam, criada com este formato para que não tivesse cabeceira, representando assim a igualdade de todos os seus membros.
Na arquitetura a mandala ocupa papel relevante, constituindo o plano básico das construções seculares e sagradas de quase todas as civilizações. As edificações assim construídas seriam a imagem ordenada do cosmo, um lugar sagrado ligado pelo seu centro ao mundo suprassensível. Projetariam a imagem arquetípica interior do inconsciente humano sobre o mundo exterior, exercendo influência benéfica e ordenadora sobre o ser humano que entra ou vive naquele lugar.
Sua aplicação surge na arquitetura das cúpulas, tanto islâmicas como cristãs, onde o quadrado representa a Terra abraçada pela abóbada circular do céu. Assim, do movimento incessante do universo, representado pelo círculo, surge a ordem do mundo manifesto, o quadrado. A relação entre a forma e o movimento, espaço e tempo, é evocada na arquitetura das construções desta época.
Em épocas recentes, foi através do trabalho de Jung que o simbolismo das mandalas tornou-se acessível para o Ocidente. Ele identificou uma relação entre o material simbólico surgido espontaneamente nos sonhos de pessoas que atravessam crises interiores e os símbolos encontrados nas mandalas. Constatou que a estrutura da psique é formada em torno de determinados “arquétipos” ou constelações de símbolos, com raízes nas profundezas do inconsciente coletivo da humanidade, assentadas na psique desde tempos imemoriais.
(...)
Jung observou que a utilização dessas imagens consolida o ser interior ou favorece a meditação em profundidade. No uso terapêutico, a mandala exerce uma função estimulante e criadora, possuindo uma dupla eficácia: conservar a ordem psíquica, se ela já existe; e restabelecê-la, se desapareceu.
Há, no entanto, uma profunda diferença entre uma mandala ritual, usada universalmente em várias culturas, e uma mandala pessoal, construída no processo terapêutico. A primeira costuma representar uma situação idealizada, apresentando aspectos em total harmonia de uma forma estática, e tendo valor como puro símbolo. Representa muitas vezes elementos da natureza ou emoções humanas básicas.
A mandala pessoal costuma ser um organismo vivo em constante fluxo e processo de transformação. Reflete não só o relacionamento da psique com o mundo externo mas a relação de seus aspectos interiores entre si, tornando-se um assim uma ferramenta importante para o autoconhecimento.
As cores na mandala pessoal representam também um importante aspecto da expressão dos estados emocionais. Costumamos deixar fluir nossa emoção através das cores de maneira livre se estamos bem, ou de forma repetitiva e confusa em face de situações perturbadoras.
O trabalho com as mandalas tem sido instrumento precioso no processo de autoconhecimento individual, assim como importante recurso terapêutico usado com os pacientes do ateliê artístico. A mandala pintada em aquarela revelou-se um excelente instrumento tanto para aprofundar o conhecimento da personalidade do autor quanto para diagnóstico, no caso de paciente em tratamento.

Introdução ao conhecimento das cores


A cada manhã, quando a luz solar dissolve o manto da noite, revela-se aos nossos olhos a atmosfera terrestre com seu glorioso colorido. Aparecem então as cores, fenômeno criado pela luz quando esta se irradia para dentro da escuridão.
As cores não têm existência material, sendo apenas a sensação provocada pela ação da luz sobre nosso órgão da visão. O elemento determinante para seu aparecimento é a luz, que tem sua melhor expressão na luz solar, por reunir todos os matizes existentes na natureza. (...)
Ao esforçar-se para reproduzir a coloração dos seres e objetos à sua volta o homem primitivo utilizou pigmentos da fauna e flora, que ele esfregou e triturou para produzir os primeiros corantes. Utilizou também elementos minerais pulverizados, material orgânico calcinado e terras coloridas, para com eles ornamentar o próprio corpo, os utensílios, as armas e as paredes de sua caverna.
Surgem então na vida cultural do homem primitivo os primeiros códigos cromáticos, dando a cada cor um significado, capaz de marcar ritos, festas, castas ou posição na organização social.
Desenvolve-se também a crença no poder mágico das cores, quando eram empregadas pedras preciosas coloridas em objetos sagrados usados para cultos religiosos e em rituais de cura.
Além da sensação visível que a cor produz em nossa visão há o fenômeno de sua percepção sobre os objetos coloridos. Na percepção atuam, além dos elementos fisiológicos, fatores anímicos e psicológicos, que influenciam e modificam a qualidade do que se vê.

Harmonia das cores


Na percepção do cotidiano, as cores nunca são vistas como realmente são quanto à natureza física. Para um uso correto das cores é necessário levar-se em conta que elas nos enganam continuamente. Devemos considerar que uma mesma cor pode ter inúmeras leituras, pois diferentes efeitos são produzidos pela mesma cor dependendo da luz e do ambiente colorido onde ela está sendo vista.

É preciso, pois, desenvolver, através da observação, um olhar para a cor, ou poder ver a cor como ela se expressa, em sua relação com as outras cores ao seu redor.
Quando observamos o grupo das cores complementares, vemos que há um princípio do equilíbrio em sua interrelação: sempre que uma cor se apresenta sozinha, uma outra cor (ou a combinação de duas outras cores que estejam faltando das três primárias) é introduzida para harmonizar o conjunto. Assim funciona para os três grupos de complementares: vermelho e verde, amarelo e violeta, azul e laranja.
Este simples princípio do equilíbrio se torna muito mais complexo quando começamos a acrescentar outras combinações, reunindo os grupos das complementares, e percebendo como eles podem formar novas harmonias e contrastes.
Ao olharmos para o círculo das cores vemos, por um efeito óptico denominado pós-imagem, um outro círculo de cores onde, numa harmoniosa complementaridade, todas as cores estão presentes.
Nesta harmoniosa interrelação das combinações complementares que surgem no exterior do círculo das cores, está baseado o princípio da harmonia tão buscado na pintura.
Com relação às combinações harmônicas possíveis dentro do círculo das cores, Goethe define as seguintes categorias:
=> combinações características ou harmônicas: amarelo e azul, amarelo e vermelho, azul e vermelho;
=> combinações não características ou desarmônicas: amarelo e laranja, laranja e vermelho, azul e violeta, vermelho e violeta.
Na segunda categoria estão as cores que, por se encontrarem muito próximas em valor tonal, transmitem uma fraca impressão harmônica.

Qualidades simbólicas das cores (imagem universal):


Branco: espírito
Amarelo: desapego, intelecto
Laranja: alegria, movimento
Vermelho-claro: poder e consciência física
Azul: calma e paz
Violeta: dignidade e maturidade
Vermelho-carmim: vontade e sexualidade
Verde: equilíbrio e compensação
Preto: matéria

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